ūüĆĻPoesia Preta. ūüėü

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ūüĆĻPoesia Preta. ūüėü

Cidade caótica, bonita na orla,
mas tenebrosa por dentro das ruas que beiram a Linha Vermelha e Amarela.
N√£o tem fantasia, n√£o existe sonho.
Sem príncipe, sem fada, sem Cinderela.
Aqui, a voz é silenciada.
Quem se importa? √Č apenas mais um nego da favela.
A mãe chora, mas dessa vez, nao é por ter perdido a novela.
Perdeu o filho para o tr√°fico, mas n√£o ter√° tempo para acender vela.
Precisa sair cedo, trabalhar,
cuidar do menino no Alto Leblon, onde exerce a função de babá.
Polícia ou bandido? Asfalto ou favela?
Quem é mais criminoso?
Quem est√° dentro ou fora da cela?
Facadas, tiros, socos, gritos.
Quem escapa? N√£o t√° suave, n√£o est√° tranquilo e nem favor√°vel viver dessa maneira.
Viatura de polícia, segurança, nem pensar,
só encontra na Visconde de Pirajá ou Delfim Moreira.
Impunidade pra quem controla o Sistema.
Esses, são os heróis no cinema.
Pretos styles é no viaduto de Madureira.
Poxa, tinha que ocupar todos os espaços, mas a grana é curta, nao dá pra marcar bobeira.
Corre, corre, tem mais um arrast√£o.
Se bobear, será você o morto nessa vida louca, nesse mundo cão.
Segure o dinheiro, guarde o iPhone.
No menor quem manda é o frio, quem controla é a fome.
√Č contraste social, nas coberturas Chanel, caviar e Chandon, nas cal√ßadas n√£o tem nada, o cheiro √© de cola e lol√≥, mais populares que perfume da Avon.
Acorda, Dia lindo, mas sem um puto no bolso.
Tem 2 real pra mim? me dá um trocado, seu moço.
Quero um café pra despertar.
Exército nas olimpíadas
Ah, nas ruas, Pokemon dá até pra caçar
Gringo chega e se bronzeia, sol, bunda e mar, quem n√£o quer aproveitar?!
Nas pernas pretas, as maravilhas encontrar, nos videos de carnaval, mulheres s√£o mostradas como enfeites de natal.
Vem que tem, vem que tem.
Ganhar uma mulata linda, nao é nada mau.
Exibir nas suas fotos como cart√£o postal.
Aqui se toma calado, aqui se toma mudo.
Ou você ganha muito, ou você perde tudo.
Eu vou continuar no meu Ha Ha Ha
Vem morar, pra dançar, vai amar.
Tem um povo carism√°tico,
sorridente, festeiro,
ela só pensa em beijar.
P√£o de A√ß√ļcar, Corcovado,
Dois irm√£os, Maracan√£, Havainas,
√Č muita beleza, tanta variedade.
mas se n√£o atravessar o centro,
Subir o morro, seguir a ladeira,
nunca vai saber de verdade.
√Āgua de coco, caipirinha, biscoito O Globo, Mate e a√ßa√≠ √© bom.
√Č tour no morro ao som de Dom Dom Dom.
Conhecer é divertido, é diferente, é novidade, parece até um Safári, ver um pretim com uma arma claro que é ameaça.
Escolha o morro e curta a vista.
Todos no jeep olhando, mas temendo enquanto passa.
Visitar deve ser interessante, mas vai morar e conviver pra ver se é realmente bom.
O caveir√£o subiu, corre, meu irm√£o!
Soltando pipa e sonhos olham e apontam na mesma dire√ß√£o. √Č um garotinho preto.
√Č s√≥ mais um no gueto.
Mata!
Um pensamento de estatísticas. Será que vai chegar aos 15 anos?!
Provavelmente n√£o, um policial ou um traficante vai encurtar a sua miss√£o.
Povo forte, povo guerreiro, cidade maravilhosa, esse é o Rio de Janeiro,
A Gaza é em Manguinhos, tiro ao alvo
na Brasil.
O Iraque é aqui, tiro, tapa na cara e bomba.
Sua casa na favela, a Lei sobe e arromba.
√Č um papo reto e s√©rio.
Queria que fosse brincadeira.
Aquele menino da pipa, j√° passaram cerol nele, morreu, se foi, caiu.
Vem olhar durante o dia, mas cuidado com a AK, porque à noite o tiro já mudou o fuzil.

A Síria é no Brasil.

Foto e poesia de Alessandra Martins

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