Dia Mundial de Combate à homofobia- Poesia: Travesti não é bagunça

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Hoje, dia 17 de maio – é o dia Internacional de Combate à Homofobia. Esse dia é lembrado e celebrado como marco do fim da homossexualidade ser vista como doença. Em 17 de maio de 1990 a Organização Mundial  de Saúde retirou o “homossexualismo” da classificação de distúrbios mentais.

Ainda temos muito que progredir, pois em todos os momentos esbarramos com todas as formas de preconceitos, inclusive, a homofobia.

De acordo com o Jornal do Brasil, em 2017, até o início deste mês, 117 pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) foram assassinadas no Brasil devido à discriminação à orientação sexual. A informação é do Grupo Gay da Bahia (GGB), que participa de programação sobre o tema durante toda esta quarta-feira (17), Dia Internacional Contra a Homofobia. 😔
Não quero roubar a voz, muito menos estigmatizar a opção sexual de ninguém, entendo que somente quem veste a pele, pode realmente sentir a dor,  uma vez fui mal interpretada através desta poesia. Peço perdão se de alguma forma ofendi alguém, mas fiz a poesia em uma forma de empatia, devido a algumas histórias que eu ouvia, tenho amigos que são realmente travestis e muitos outros gays que meus versos se encaixam em suas histórias. E apenas escolhi o nome travesti, pois vejo como uma maneira simbólica de dar um grito de socorro e de luta pela igualdade. Espero que toda a família LGBT se sinta abraçada através dos meus versos.

-Em memória de Luana Muniz-

Travesti não é bagunça!

Quando você me toca posso sentir o cheiro do desejo, do medo, da hipocrisia.

Durante  o dia sou o repugnante, sou suja, sou a morte, sou o pecado, sou a lama.

Na noite, sou o prazer, sou a beleza, te dou a vida, sou um milagre em sua cama.

Perto da sua mulher sou a criatura que merece morrer e me faz logo correr, quando está sozinho não pode me ver que quer me comer.

Tenho  alma e coração, não me trate como trapo, depois que gozou não.

Para a igreja sou o câncer, para a família sou a vergonha, mas para a oportunidade sou a chance de mudar essa vida mesquinha que o destino me enviou.

A sociedade, sempre fechou , sempre negou, nunca perguntou como eu me sentia, nunca olhou para o conflito dentro de mim que me consome e consumia.

O desprezo sempre foi comum pra mim. Foram estradas e montes que percorri e subi, que pareciam não ter fim.

Sim, São os bons costumes e a moral que todos têm. Os fazem acreditar que são perfeitos, que são santos, que são certos, pois pra mim nunca dizem amém.

Quando passo na rua no meu salto 15 cm poucos ousam a me olhar diretamente, pois temem que eu tenha uma navalha ou alguma coisa que corta.

mas quando viro as costas, riem,  zombam, me apontam o dedo e desejam  me ver morta.

Mundo Hipócrita!

Sou gente, mas me tratam como um monstro, me fazem sentir uma aberração, estou cansada de tanta negação!

Sou aquela  que todos chamam de mundana, de bicha, de viado, de piranha, de insana, de profana.

A realidade dói mais em mim, foi sempre assim.

Sou homem, sou mulher, sou humano, sou o que eu quiser.

Sou travesti, não sou bagunça.

Poesia de Alessandra Martins Fotografia de Filipi Lisboa

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