Flores do Mal, Charles Baudelaire

Você já conhece Charles Baudelaire?
Não? OMG!! Então… ele é o cara! ❤ Está na minha lista de poetas do coração.

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Baudelaire é um grande poeta francês, nasceu em 09 de abril de 1821, em Paris, França. Um poeta de alma gritante. Foi um artista boêmio e um grande teórico da arte francesa. Morreu doente aos 46 anos, em 1867.

Charles Baudelaire é considerado um ícone e um dos maiores poetas do século XIX, mas que consegue manter sua escrita atual até os dias de hoje. Ler Baudelaire é como ter a alma tocada, pois é mergulhar em tudo que há de mais profundo. A música não nos envolve e não faz bater os pés muitas vezes? Então, Baudelaire nos faz bater o coração.

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Hoje vamos falar de Flores do Mal, deste nosso icônico mestre poeta. Há diversas traduções de Flores do Mal, no Brasil, a única versão integral anteriormente é a do juiz Inácio de Souza Moitta.

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A edição que tenho é de 2012, uma versão de Bolso da Livraria Saraiva, da editora Nova Fronteira, tradução de Ivan Junqueira.

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O livro tem 660 páginas da mais pura e rica poesia. O que também é muito interessante no livro é que encontramos a versão original em francês e a tradução em português. Um livro lindo.
Flores do Mal, tendo o título original em francês de Le Fleurs du Mal – é um clássico da literatura mundial, marco do simbolismo e modernismo na França.
O livro foi publicado em 1857, na França, mas sofreu retaliações do jornal conservador, Le Figaro, tendo que ser recolhido poucos dias depois sob acusação de insulto aos bons costumes da sociedade francesa. Baudelaire foi condenado e teve que pagar multa junto com o editor.
A obra não poderia circular se não fosse retirado seis poemas considerados impróprios para época, então somente em 1860, Flores do Mal foi republicada atendo as normas da hipocrisia.
Claro que Baudelaire é um dos poetas masculinos que tenho como principal referência, pois consegue reviver através das suas obras e nos traz uma experiência de mundo intensa e profunda. O êxtase que é sua poesia nos causa, consegue transcender no tempo , nos leva a questionar a existência humana, intercalando intimamente entre o bem e o mal, a carne e o espírito, o amor sublime e ódio, a perfeição e a degradação, Deus e o diabo é muito do que admiro na literatura.

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Conseguiu transitar entre o simbolismo e modernismo o que o tornou percursor destes dois movimentos.
Baudelaire quebra as algemas dos tradicionalismo e vai além, representa o eu lírico com um grito de intensidade do âmago da alma.
Lógico que ainda fico melindrosa para falar de Baudelaire, pois é tipo aquele ser intocável que a gente só admira de longe. rs
Ele explora o poder de evocação da realidade, tendo sempre uma correspondência entre as emoções, os cheiros, as formas. Sua poesia faz correspondência entre ver e interpretar tudo que há no mundo.
Poesia inspiradora, um tipo de escrita que te arranca da zona de conforto e te incita a ler mais, te faz querer escrever até que consiga vomitar sua dor, os desespero tirando tudo das entranhas as sensações mais profundas.
Este é um tipo de livro que você não consegue ler apenas uma vez e nem necessariamente precisa seguir uma linearidade na leitura, pois serve como uma “bíblia” de inspiração.

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“Gostavas de tragar o universo inteiro,
Mulher impura e cruel! Teu peito carniceiro,
Para se exercitar no jogo singular,
Por dia um coração precisa devorar.
Os teus olhos, a arder, lembram as gambiarras
Das barracas de feira, e prendem como garras;
Usam com insolência os filtros infernais,
Levando a perdição às almas dos mortais.

Ó monstro surdo e cego, em maldades fecundo!
Engenho salutar, que exaure o sangue do mundo
Tu não sentes pudor? o pejo não te invade?
Nenhum espelho há que te mostre a verdade?
A grandeza do mal, com que tu folgas tanto.
Nunca, jamais, te fez recuar com espanto
Quando a Natura-mãe, com um fim ignorado,
— Ó mulher infernal, rainha do Pecado! —
Vai recorrer a ti para um génio formar?

Ó grandeza de lama! ó ignomínia sem par.” (Gênio do Mal, Baudelaire)

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“Quero-te como quero à abóbada nocturna,
Ó vazo de tristeza, ó grande taciturna!
E tanto mais te quero, ó minha bem amada,
Por te ver a fugir, mostrado-te empenhada
Em fazer aumentar, irónica, a distância

Que me separa a mim da celestial estância.
Bem a quero atingir, a abóbada estrelada,
Mas, se julgo alcançar, vejo-a mais afastada!
Pois se eu adoro até – ferro monstro, acredita! –
O teu frio desdém, que te faz mais bonita! ( Intangível, de Baudelaire)

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” A música p’ra mim tem seduções de oceano!
Quantas vezes procuro navegar,
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,
Minha pálida estrela a demandar!

O peito saliente, os pulmões distendidos
Como o rijo velame d’um navio,
Intento desvendar os reinos escondidos
Sob o manto da noite escuro e frio;

Sinto vibrar em mim todas as comoções
D’um navio que sulca o vasto mar;
Chuvas temporais, ciclones, convulsões

Conseguem a minh’alma acalentar.
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,
Que desespero horrível me exaspera!”   (A música, de Baudelaire )

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E você já leu Flores do Mal? O que tem a dizer? Beijo e até a próxima!🤗

 

2 comentários

  1. Oi!

    Maravilhoso post, adoro o Baudelaire e suas flores do mal também. Deixo de sugestão pra você, se já não conhece, o Spleen de Paris, uma coleção de poemas em prosa dele.

    Agora, queria te perguntar se essa versão da Saraiva tem alguns dos mesmos erros que flagrei na minha, da Cultura. Uma grande pena, porque a edição em si é um primor, mas eu sou chatinho mesmo haha.

    São alguns deles:

    -“Radiantes e ventura” em vez de “de ventura”, no último quarteto de Bênção.

    -O quinto poema está separado em duas estrofes de 14 e 26 versos, o correto seria 14/14/12.

    -Castigo do Orgulho tem apenas uma estrofe, o correto seria 14/12.

    -A Máscara está separado em 7/9/15/5, o correto seria 7/9/3/9/3/5.

    -A cisão do que era pra ser o penúltimo quinteto de A Cabeleira.

    -A unificação do que eram pra ser os dois quartetos do soneto de nº XXVII.

    -A unificação do segundo quarteto e do primeiro terceto de Um Fantasma (II. O Perfume).

    -A unificação das duas estrofes 7/7 de Uma Gravura Fantástica.

    -A unificação dos dois primeiros quartetos de O Cisne.

    -O quarteto inicial de O Crepúsculo Vespertino foi unido à estrofe maior que o deveria seguir.

    -O Crepúsculo Matinal está separado em 2/22/4, o correto seria 2/9/13/4.

    -Os versos 31/33 de As Litanias de Satã foram unificados, o correto seriam estrofes 2/1.

    -A unificação do que deveriam ser os quartetos um e dois, mais cinco e seis da quarta parte de A Viagem.

    -A cisão do que deveria ser o segundo quarteto de A Théodore de Banville.

    -A Uma Malabarense ficou 16/5/7, divergente das demais disposições presentes em outros sites.

    E continue com as postagens interessantes!
    Obrigado pela atenção, Alessandra!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ah muito obrigada pela indicação do Spleen de Paris. 🤗 Verifiquei poema por poema de Flores do Mal, e lamento informar, meu amigo, mas a versão de bolso da Saraiva contém os mesmos erros que vc flagrou na sua. rs Chato, né? O engraçado é que o texto em francês vem no mesmo formato, então eu nunca que iria saber que há algo diferente da original. Obrigada pelas observações e seja muito bem- vindo. À bientôt!!😊

      Curtir

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