Poema: Menina mulher preta

Oi, gente!
Hoje, dia 25 de junho é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Venho compartilhar com vocês uma poesia de exaltação à mulher negra e explicar um pouquinho sobre a celebração dessa data. Abaixo há também a poesia completa da angola Alda Lara.

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Menina mulher preta

Sua beleza transcende o entendimento humano,
pois é sublime a serenidade do seu olhar.
Seu sorriso tímido traz o encanto.
Sua imagem transmite equilíbrio e paz.
É Preta, forte, guerreira, resistente, capaz!

Mulher!

Seu sorriso ilumina, seu semblante fascina.
Agora mulher, outrora menina.

Oh, você é divina.

Estilo, presença, poder. Quem é você? Menina,
mulher, mulher menina.
Você é linda, é melanina.

Pássaro que adora voar, sair por aí viajar. Continue, pois você é dona do mundo. É dona do céu.
É dona do mar.

Estilo, atitude, poder. Quem é você? Menina, mulher,
mulher menina.
Você é preta, você é bela, você domina.

Mulher delicada, forte, esforçada
Que não para, não cala, não cala não.

Seu sorriso ilumina, seu olhar fascina. Hoje mulher, amanhã menina.
Ela decide como a vida ilumina.

Linda como o amor.
Nas mãos a delicadeza
de uma flor.
Brinca com as cores.
De amores, sabores.
Com os tons, com o cabelo.
Ela é livre, é bela, é ela.

Um dia é princesa, outro dia é guerreira.
Garrra e força, coragem, é mulher brasileira.
Uma hora garota, em outra hora mulher.
Ela sabe onde ir, ela sabe o que quer.
Pretinha bonita, trançada, de turbante.
Ela sonha, ela luta, ela vai adiante.

Poema de Alessandra Martins

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“Ah Alessandra – acho errado um dia para celebrar o dia da mulher negra, por que não tem o dia da mulher branca?! Somos todas mulheres.”
Ok, concordo que somos todas mulheres, mas infelizmente desigualdade racial ainda é um fato recorrente. Então mulheres negras vem lutando para quebrar as barreiras e alcançar a equidade. A dada foi criada em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana. Assim então, se estipulou que daquele dia em diante seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. Desde então, sociedade civil e governo têm atuado para consolidar e dar visibilidade a esta data, tendo em conta a condição de opressão de gênero e racial/étnica em que vivem estas mulheres, explícita em muitas situações cotidianas. Sabemos que a igualdade de gênero atinge todas as mulheres, mas quando se é mulher negra os estigmas e opressões são maiores, pois envolve gênero, social e raça.
Em abril de 2014, no Brasil, a Câmara dos Deputados, aprovou a proposta do Senado que institui o dia 25 de julho como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Foi aprovada também, a inclusão, no calendário comemorativo brasileiro o 25 de julho Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Com esses projetos de lei aprovados, o Brasil reafirma a importância da data que foi instituída no calendário feminista no 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, que aconteceu em 1992, na República Dominicana. O objetivo da comemoração de 25 de julho é ampliar e fortalecer às organizações de mulheres negras do estado, construir estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais. É um dia para ampliar parcerias, dar visibilidade à luta, às ações, promoção, valorização e debate sobre a identidade da mulher negra brasileira.

E a pesar de tudo,
ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!
Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a irmã-mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto!…
A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul…
A do dendém
nascendo dos abraços
das palmeiras…
A do sol bom,
mordendo
o chão das Ingombotas…
A das acácias rubras,
salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas…
Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11…Rua 11…)
pelos negros meninos
de barriga inchada
e olhos fundos…
Sem dores nem alegrias,
de tronco nu e musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias…
E eu revendo ainda
e sempre, nela,
aquela
longa historia inconseqüente…
Terra!
Minha, eternamente…
Terra das acácias,
dos dongos,
dos cólios baloiçando,
mansamente… mansamente!…
Terra!
Ainda sou a mesma!
Ainda sou
a que num canto novo,
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu Povo!…

Poema de Alda Lara

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Um beijo e até a próxima!⚘🤗

 

 

 

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