Paraty – Flip 2017

Oi, gente!

Estava um pouquinho ausente ultimamente, mas hoje consegui voltar( uffa!!!) é que eu estava em outra cidade e não estava tendo tempo para postagens. Talvez essa postagem fique um pouquinho longa, mas mais uma vez acho que valerá a pena ler. 🤓🤗

Conheci um pouco de Paraty – cidade belíssima e com muitas curiosidades, localizado no litoral fluminense, no estado do Rio de Janeiro que fica a 258 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro. Não é à toa que Paraty tem a cara de Ouro Preto e vice-versa. É que no século XVII, depois de muita procura, os bandeirantes descobrem Vila Rica( atual Ouro Preto) e também Diamantina, ambas na linda Minas Gerais. O rei Dom João V manda fazer a estrada real – de mão dupla que ligava Paraty com povoados e vilas, passando por regiões de ouro e diamante.

Com o fim do século do ouro, Paraty se manteve com a produção de cachaça, que é considerada até hoje uma das melhores do país. Já no século XIX a cidade se revigorou com as plantações de café.

Paraty é uma cidade colonial que traz bastante história em suas ruelas. Sua arquitetura nos leva de volta ao passado, nos fazendo lembrar a época de ouro do Brasil. Apesar de ser uma cidade incrivelmente encantadora, com ruelas e construções do século 17, 18 e 19, desperta um pouco de tristeza quando nos aprofundamos um pouco mais em sua história.
No passado, as ruas de Paraty não eram tão aprazíveis, como hoje em dia, pois era insalubres, não havia banheiros, fezes e urinas ficavam espalhadas pelas ruas. Sendo a cidade limpa somente quando a maré subia e inundava a cidade, ainda hoje a maré sobe em Paraty, mas inunda somente o primeiro quarteirão, pois hoje há saneamento básico. Em algumas partes podemos visualizar marcas nas paredes de até onde a água chega quando a maré sobe hoje em dia.

Paraty na língua tupi, significa ” peixe de rio” ou ” viveiro de peixes”, era o nome que os índios guaianás davam ao local onde hoje se situa a cidade.
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Naquele tempo e ainda hoje, os paratis ( peixe de família das tainhas – Mugil Brasiliensis) vem durante o inverno desovar e procriar nos rios que desembocam na baía de Paraty e procriar nos rios e depois voltam ao mar.

Há muita arte na cidade de Paraty, bares com música ao vivo, casebres coloniais transformados em restaurantes, rodas de maracatu e jongo nas esquinas, estátuas humanas e diversos trabalhos artesanais feitos pelos índios espalhados pelas ruas da cidade.

Por falar em índios, uma dos grandes encantos de Paraty são os indígenas que encontramos por lá. Em Paraty há duas aldeias Guarani, a Tekon Tatin e a Nhandeva. Há muitos outros indígenas que vem de aldeias de outras cidades como Ilha Grande e Angra dos Reis. Que é o caso da Aldeia Sapukai, meninas encantadoras que tive o prazer de conhecer e de aprender com elas algumas frases em Guarani.😍 Combinei com elas de voltar em breve e visitar a aldeia Sapukai. Estas meninas são tão encantadoras que elas me viram na rodoviária dias depois e vieram falar comigo me chamando pelo nome. Uma das índiazinhas me deu um nome carinhoso em guarani.😭❤️

Algo que vale muito a pena fazer na cidade histórica é um passeio de charrete, talvez leve menos de 10 minutos, mas tempo suficiente para ouvir do cocheiro informações peculiares, intrigantes e muito interessantes da época colonial, a maioria dá um certo aperto no peito, pois é de um Brasil escravocrata que tratava os negros como máquinas, uma delas é sobre as telhas da cidade, que no passado, eram feitas nas coxas dos escravos, principalmente, mulheres escravas. Por isso a expressão idiomática ” nas coxas”, quando querem se referir a algo feito às pressas, pois por cada escravo ter um físico diferente, as telhas saiam irregulares e os telhados ficavam desnivelados.

A expressão ” sem eira e nem beira” também vem da época do Brasil Colônia. Termo que era usado para definir status na arquitetura colonial.

Hoje em dia é usado para dizer que a pessoa não tem rumo, não tem nada, no passado, já era usado com um significado bastante curioso.

A palavra “eira” vem do latim ” área” que tinha como significado espaço de terra batida, lajeada ou cimentada, próximo as aldeias portuguesas, onde se malhavam, trilhavam, limpavam e secavam cereais. Em sequência os cereais ficavam ao ar livre e ao sol, a fim de serem preparados para a alimentação ou para serem armazenados. Assim então chegou ao Brasil se referindo a quem possuísse somente a “eira”, era considerado pobre, quem tinha a ” eira e a beira” era mais ou menos, possivelmente um classe média, hoje em dia. rs E quem possuía a ” eira”, a “beira” e “tribeira” era proprietário e produtor, com casas e bens. Já que a “beira” é a aba da casa, parte do telhado que protege da chuva. Já quem não tinha ” eira e nem beira” não possuía terras e nem era dono de casas, ou seja, pobre, que provavelmente morava alugado ou até mesmo não possuía moradia, que era o caso dos escravos. Por esse motivo era colocado três níveis de telhados nas casas coloniais demonstrando riqueza.

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Paraty foi uma cidade urbanizada por maçons, podemos observar em suas construções, figuras geométricas e as portas e janelas em cores azul e branco. São mais um símbolo maçônico. Chamado de azul hortênsia da maçonaria simbólica.

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As varandas das casas maçônicas tinham abacaxis pendurados, mostrando que aquela pessoa era rica.
Ainda hoje há uma casa com abacaxis pendurados na varanda, que significava que quem habitava era de origem nobre ou tornou-se. O abacaxi não tem significado maçônico, mas significa nobreza, pois é amarelo como o ouro, a coroa do abacaxi simboliza a realeza que significava boa sorte, prosperidade e hospitalidade.

A igreja Nossa Senhora do Rosário dos homens pretos e São Benedito, foi a igreja que mais teve a mão de obra escrava na sua construção, que teve início no ano de 1725. Os escravos só podiam frequentar esta igreja. Por isso passou a ser chamada de igreja dos escravos.

Vale lembrar que entre muitas pessoas más, há sempre pessoas boas. Dona Geralda foi um exemplo disso. Uma rica herdeira de seu pai, Roque José da Silva, que viveu em Paraty. Dona Geralda doava dinheiro aos escravos, pobres famílias e distribuía esmolas no intuito de ajudá- los a sobreviver. Ajudou também a concluir a igreja da Matriz assim que estava para ser terminada. Por seus benevolentes feitos a prefeitura de Paraty, em 1882, enviou à sua casa um comunicado de que a rua do mercado passaria a se chamar rua da Dona Geralda em sua homenagem.
Quando a dona Geralda morreu parte do seu dinheiro foi doado para casa de misericórdia e seus bens para para amigos e escravos com a condição de que quando eles morressem, as terras também passariam ser propriedades da Santa Casa.

As ruas do centro histórico são de pedras irregulares, conhecidas como ” pé de moleque” onde se acredita que deu origem ao nome do doce pé de moleque, pois era nas ruas que as quituteiras vendiam os doces que lembram um calçamento irregular. A segunda explicação de que enquanto era vendido, meninos furtavam os doces. E para diminuir o incidente as vendedoras diziam aos meninos ” pede, moleque!” ao invés de furtar. rs O que deu origem ao nome do doce pé de moleque.

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“O centro histórico, considerado pela UNESCO como O conjunto arquitetônico mais harmonioso é patrimônio nacional tombado pela IPHAN.”

As ruas do Centro histórico são demarcadas por correntes em saídas principais, assim impedindo o trânsito de automóveis, o que ajuda a conservar a cidade neste estilo colonial.

Dizem que há alguns lugares em Paraty que é imprescindível conhecer, são eles Caminho do Ouro e as praias de trindade, infelizmente não tive o prazer de conhecer, pois fui em período de festividade, a famosa feira literária internacional de Paraty, a FLIP, sendo assim não tive a oportunidade de conhecer tais lugares.

A FLIP começou dia 26 de julho – 30 de julho – dias esses de muita cultura, palestras, saraus, música, dança. Tudo realmente envolvente.

Esse ano a Flip homenageou o escritor brasileiro Lima Barreto.

A obra de Lima Barreto passa por um resgate e uma refundação a partir da biografia publicada por Francisco de Assis Barbosa, A vida de Lima Barreto, e da recuperação de seus escritos, feita a partir do acervo pessoal catalogado pelo próprio autor.

O autor torna-se objeto de estudo de intelectuais de referência em diversas áreas da inteligência brasileira, como Antonio Candido, Nicolau Sevcenko, Osman Lins, Alfredo Bosi, Antonio Arnoni Prado, Beatriz Resende e Lilia Schwarcz.

“Por muito tempo Lima Barreto ficou na ‘aba’ de literatura social, e sua obra e trajetória possibilitaram muitos debates sobre a sociedade brasileira. O que eu gostaria, mesmo, é que a Flip contribuísse para revelar o grande autor que ele é. Para além das questões importantíssimas sobre o país que ajuda a levantar, tem uma expressão literária inventiva e interessante, à frente de sua época em termos formais, capaz de inspirar toda uma linhagem da literatura em língua portuguesa”, afirma Joselia Aguiar, curadora da Flip 2017.

“O Lima é o autor de um território. O universo literário dele é determinado pela criação da Avenida Central, do Rio de Janeiro, que estabelece os diferentes graus de distância dos subúrbios com a Zona Sul e o Centro da Cidade”, afirma Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip. “O olhar do Lima sobre a variedade de personagens brasileiros – seja nos subúrbios, seja nas regiões centrais – é determinado pela experiência do território onde viveu por quase toda a vida. Desse modo, sendo um grande autor, ele fez valer a máxima ‘Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia’, do Tolstói.”

Foi uma experiência bastante gratificante participar da FLIP 2017, pois além de esbarrar com diversos nomes da literatura contemporânea e ouvir palestras enriquecedoras, pude compartilhar minha poesia com pessoas do mundo.

Participei do Slam das Minas RJ/SP.

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Para quem não sabe muito bem o que é um Slam, vou fazer uma breve explicação aqui:

Os slams são campeonatos de poesia. Normalmente, os participantes têm até três minutos para apresentarem sua performance – uma poesia de autoria própria, sem adereços ou acompanhamentomusical. O texto pode ser escrito previamente, mas também pode haver improvisação. Não há regras sobre o formato da poesia. O slam foi criado nos anos 1980 em Chicago, nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que a cultura hip hop tomava forma, mas só chegou ao Brasil mais tarde, nos anos 2000.

Participar de slams é sempre bastante desafiador, pois temos três minutos para transmitir a mensagem, que geralmente tem um grito social, com as temáticas  variadas, geralmente abordo a liberdade feminina e a luta pela democracia racial. O que é muito bonito no Slam é que mesmo sendo uma competição ficamos felizes quando uma outra poeta ganha, pois consegue transmitir uma mensagem que você concorda e apoia. No final todos comemoram juntos.

Participei de outros saraus muito bonitos como o Sarau da editora Malê, Sarau Marginow, no Sesc, Sarau poetas ambulantes do Tietê, roda de samba e poesia e visitei a casa de cultura.

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Só para citar um pouquinho de praia, venho destacar uma praia que fica na cidade de Paraty mesmo. A praia do Pontal. A areia não é muito limpa, mas vi algumas pessoas nadando. Recomendo como um lugar para sentar e beber um drink e conversar um pouco.

Bem, acho que a postagem finaliza por aqui, espero que tenham gostado de conhecer um pouco deste lugar que transborda cultura. Eu adorei e espero em breve voltar para conhecer as praias de Trindade e cominho do Ouro.


E você já esteve em Paraty? Conheceu a Flip? Compartilhe aqui sua experiência.
Um beijo e até a próxima!!💐 🤗

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