Brasil é o 5º país no mundo que mais mata mulheres😞

IMG_1341

Oi, gente!
Hoje iremos abordar um assunto que me deixa triste e ao mesmo tempo bastante assustada. É o Feminicídio – assunto este que temos que a passar a discutir e falar com mais frequência, pois do jeito que está não pode continuar. Você já ouviu falar no feminicídio? Continue lendo esta postagem que irá entender o porquê de tanta urgência em abordagem do tema.
O feminicídio lamentavelmente existe desde sempre.

Com assim existe desde sempre, Alessandra?

Existe desde sempre porque vivemos em uma sociedade patriarcal em que a mulher sempre foi vista como um ser inferior, dando margem para o homem objetificá-la e obter um sentimento de “posse” em diversas comunidades.
E por fazermos parte de uma sociedade machista, matar mulheres sempre foi algo justificável e banal.

IMG_1343

Cansamos de ouvir sobre assassinato de mulheres e a mídia dizer que foi um crime passional ou em muitos casos homens matarem mulheres e alegarem que foi por causa da honra.

IMG_1343

“É preciso entender definitivamente que, quando há violência contra uma mulher nas relações conjugais, não estamos falando de um crime passional. Esta é uma expressão que temos que afastar do nosso vocabulário, porque essa morte não decorre da paixão ou de um conflito entre casais. Ela tem uma raiz estrutural e tem a ver com a desigualdade de gênero.”
Wânia Pasinato, socióloga, pesquisadora e coordenadora de acesso à Justiça da ONU Mulheres no Brasil.

Precisamos unir forças de uma vez por todas  e iniciar uma discussão mais focada em prol da mudança.

“Quando as pessoas dizem: ‘matou por ciúme’ ou que foi ‘legítima defesa da honra’, pode contar que a motivação é de gênero. Precisamos tirar o ciúme do debate e ir para o discurso técnico. A Lei do Feminicídio veio mostrar que se mata por ser mulher, independentemente de ela ter ou não relação com aquele homem. Que se matam mulheres, não por ciúmes, mas por motivos fúteis ou torpes, pela dominação masculina. A relação de gênero corporifica a ideia de que há dominação de um ente por outro, dominação do corpo e hegemonia masculina. Todos os corpos que desafiam aquela ideia do sexo masculino como prevalente estão vulneráveis à violência.”
Eugênia Villa, delegada e subsecretária de Segurança Pública do Piauí.

O feminicídio é a expressão fatal das diversas violências que podem atingir as mulheres em sociedades marcadas pela desigualdade de poder entre os gêneros masculino e feminino e por construções históricas, culturais, econômicas, políticas e sociais discriminatórias.

IMG_1337

O conceito feminicídio surgiu na década de 1970 e ganhou destaque  entre ativistas, pesquisadoras e órgãos internacionais, mas só recentemente tem sido incorporado às legislações de diversos países da América Latina, inclusive do Brasil- que em 2015 foi sancionada como Lei o Feminicídio( Lei nº 13.104/2015) – na perspectiva de mudar o cenário atual em nossa sociedade.

No Brasil, é um crime hediondo, ou seja, classificado como gravíssimo, tipificado nos seguintes termos: É o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino, quando o crime envolve violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher, Este crime aumenta a pena por homicídio, de 6 a 20 anos de prisão e que, neste caso passa a ser de 12 a 30 anos, mas, apesar de ser um crime gravíssimo, não deixa de acontecer com frequência. Só no Rio de Janeiro, em 2016, a cada dois dias, uma mulher teve a vida ameaçada pelo fato de ser mulher.

E nesse mesmo ano, foram registradas 126 mulheres vítimas de assédio sexual e 588 foram vítimas de importunação ofensiva ao pudor.
Diariamente, o Tribunal de Justiça distribui 118 ações penais de violência contra mulheres, são deferidas 55 medidas protetivas de urgência, e a Justiça recebe 90 denúncias de ameaças em todo o estado. São 130 mil processos de violência contra mulheres estão em andamento no estado e quase três prisões por dia decorrente da violência contra a mulher. Segundo o Dossiê Mulher, no Rio de Janeiro a morte de mulheres teve um aumento de 32%.

IMG_1334.JPG

Os dados são mais alarmantes em outros estados do Brasil. Roraima  lidera o ranking brasileiro, em 2015, a cada 100 mil mulheres 11, 5 foram mortas.
Segundo a ONG Internacional Human Rights Watch (HRW), Roraima esteve na primeira posição do ranking também nos dois anos anteriores: em 2014, com 9,5 homicídios a cada 100 mil mulheres; e em 2013, com 14,8 homicídios por 100 mil mulheres –esta é a taxa mais alta no Estado a partir de 2005 e também a maior no país desde então.

Infelizmente, em 2013 de 13 a 15 mulheres eram mortas por dia, no Brasil.E 66,7% destas mulheres eram negras. Houve, nessa década, um aumento de 190,9% na vitimização de negras, índice que resulta da relação entre as taxas de mortalidade brancas e negras, expresso em percentual.

IMG_1297

“Muito estabelecidos tanto para homens quanto para mulheres: criam-se estereótipos que afetam a vida das pessoas. Mas, no caso das mulheres, esse impacto acontece em maior grau porque esses estereótipos são discriminatórios e, historicamente, têm impedido o acesso a poder econômico e político e a direitos, gerando desigualdades. Há uma série de barreiras que são criadas e, nesse contexto, algumas pessoas usam inclusive a violência física e psicológica para manter aquilo que avaliam ser o lugar da mulher.”
Ela Wiecko, subprocuradora geral da República.

 

O Brasil ocupa a quinta posição entre 83 países que mais mata mulheres no mundo. A Lei também busca ressaltar a responsabilidade do Estado diante deste quadro, pois o mesmo se mantém omisso e “ naturaliza” a violência contra a mulher. Graças ao machismo e racismo estrutural.

Segue abaixo um Slide onde mostra as armas mais utilizados nos homicídio por sexo, mulheres morrem mais por armas brancas, ou seja, são crimes movidos na maioria das vezes por ódio ao gênero  feminino.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Tanto para homens como para mulheres, armas de fogo e objetos cortantes e contundentes são os meio mais usados nos homicídios. Mas enquanto para os homens as mortes são majoritariamente provocadas por tiros (73,2% dos casos), no caso das mulheres essa incidência é menor, de 48,8%. Já o emprego de objetos como facas e paus são mais frequentes nos homicídios femininos, o que pode indicar crimes de ódio ou por motivos fúteis.

Nós, mulheres, temos muito que nos “policiar” e até mesmo ter uma mudança de comportamento quando em um relacionamento o parceiro inicia uma atitude  de querer controlar os passos da companheira, justificando sempre sentir ciúmes ou amar muito a pessoa, pois tudo começa assim, uma chantagem emocional aqui, uma alteração de voz ali, quando se percebe já chegou na agressão verbal e física.

“Vemos muito no dia a dia é que a agressão começa com a violência psicológica, com a tentativa de controle, com o ‘não faz isso, não faz aquilo’. Quando essa ordem não é obedecida, passa para a violência moral, para os xingamentos e também para as lesões que são consideradas mais ‘leves’ pelas pessoas e que já indicam um agravamento do risco – um empurrão, puxão de cabelo, segurar forte nos braços. São episódios que muita gente considera como parte de um contexto de discussão acalorada dentro de um relacionamento – parece que só se reconhece a agressão física quando ela deixa uma marca muito evidente, como os socos, chutes e pontapés. Ou quando aparecem os crimes de ameaça de morte, que muitas vezes é feita com algum objeto nas mãos – um pedaço de pau, uma faca. São muito frequentes também as tentativas de enforcamento com as próprias mãos. O risco vai aumentando e as vítimas não se percebem em uma situação potencial de tentativa de feminicídio e, às vezes, os serviços também não reconhecem o risco que ela corre. Então, é preciso dizer para toda a sociedade que o feminicídio é um crime muito grave e que as violências contra a mulher, infelizmente, ainda são muito banalizadas e isso coloca vidas em risco.”
Teresa Cristina Cabral Santana Rodrigues dos Santos, Juíza de Direito, titular da 2ª Vara Criminal da Comarca de Santo André/SP.

IMG_1345

Recentemente baixei o livro Feminicídio- Invisibilidade Mata e iniciei a leitura. O livro aborda e reúne as principais contribuições e reflexões do Dossiê Feminicídio  – que é uma plataforma online hiper informativa, lançado pelo Instituto Patricia Galvão , com apoio da Secretaria de Políticas Públicas, onde evidência estatísticas e diversas perguntas essenciais para entender o feminicídio, na reunião de vozes de diversas lutas que juntas se tornam uma, a voz da mulher. E a mulher que luta por vida, respeito e igualdade.

“ É urgente discutir as questões de gênero na escola. Este é um debate muito mais urgente do que tipificar o feminicídio, porque as mulheres são mortas por ter ainda muita gente que acha que não há problema em matar essa mulher. Onde essas pessoas aprenderam isso? Está na cultura. Então, a saída para o problema passa pela prevenção via mudança cultural, via meios de comunicação, via inclusão da discussão de gênero no currículo escolar – não só no ensino fundamental e médio, mas no ensino superior.”
Maíra Cardoso Zapater, coordenadora-adjunta do Núcleo de Pesquisas do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).

IMG_1343.PNG

“A Lei Maria da Penha, por exemplo, só foi trabalhada no aspecto penal e todas as outras medidas de proteção, empoderamento da mulher e de prevenção foram deixadas em segundo plano. O máximo que se faz é distribuir cartilhas e escrever trabalhos, mas a mulher sujeita à violência, na maioria das vezes, não encontra respaldo no poder público, sequer para o tipo de proteção urgente de que precisa. E, de uma forma mais ampla, é preciso haver um debate substantivo nas escolas e em todos os espaços em que se aprende a ser homem e ser mulher – nos sistemas de ensino, entre os amigos, família, mídia, esse tipo de educação é muito importante.”
Renata Tavares, defensora pública do Estado do Rio de Janeiro

Em breve farei uma resenha aqui no blog sobre este importantíssimo livro, pois há uma grande urgência em discutir e debater o feminicídio. O livro Feminicídio – Invisibilidade Mata está disponível para download no site do Instituto Patricia Galvão.

Tanto o livro quanto o Dossiê – de certo modo estão interligados- vem nos mostrar a importância de uma discussão mais pertinente e acima de tudo uma desconstrução social para que haja uma transformação de valores e comportamentos. Especialistas frisam enumerando a importância do envolvimento do homem na superação dessa cultura agressiva.
Buscam fazer o Estado reconhecer e dar atenção para as formas institucionais de violência naturalizada.
Além de tudo, assegurar o protagonismo das mulheres por meio de políticas públicas de educação, autonomia econômica e financeira e equidade no trabalho doméstico e no trabalho remunerado. Exigir respostas do Poder Público e da iniciativa privada neste sentido; e garantir o investimento na expansão com qualidade da rede de atenção e enfrentamento à violência.

“Muito antes e para além da violência, a luta é pela desconstrução de formas estruturantes de desigualdade na nossa sociedade, aquelas baseadas nas relações de gêneros e raça. Enfrentar essa realidade exige um esforço diuturno que ainda permanece oculto: precisamos avançar na divisão das tarefas de cuidado, na maior participação das mulheres em espaços de decisão e poder, na garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, na revisão do ensino e educação formal, com a inclusão de temas como discriminação de gênero e raça, na revisão das estruturas opressoras do sistema capitalista, na mudança das formas hierárquicas tão presentes nas nossas diversas relações humanas e muito, muito mais. Precisamos envidar esforços para alcançar aquelas e aqueles que historicamente têm ficado para trás na luta por direitos. Isso significa reconhecer que somos muitas mulheres, que as diversas formas de desigualdades se intercruzam e há aquelas que enfrentam maiores dificuldades e estão mais longe de ter sua dignidade humana reconhecida e respeitada.”
Aline Yamamoto, criminologista e ex-secretária adjunta de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Secretaria de Políticas para as Mulheres, em artigo

Vídeo Instituto Patricia Galvão:

E você compartilhe aqui sua opinião. Já leu o livro? Vamos unir forças e trocar ideias para que o Brasil deixe de matar tantas mulheres.🖤

Um beijo e até a próxima!🌹

 

Fontes de pesquisa: Agência Patricia GalvãoCompromisso e Atitude,Jornal Dia,Planalto.gov.br, Folha de S.Paulo,   ONG Internacional Human Rights Watch , Campanha latino-americana para por fim à violência contra as mulheres  

 

2 comentários

  1. Excelente artigo! Infelizmente esse tipo de coisa ainda acontece nos dias de hoje… E o pior é que o nosso país está no topo da lista.. Artigos como esse ajudam a conscientizar a população. Concordo com o Alan que disse que temos muito a evoluir… uma pena…

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s