Poesia: Feto

Oi, gente!

Feto é uma poesia que escrevi recentemente devido a uma história real que aconteceu na cidade de Duque de Caxias e transcreve um pouco de uma triste realidade na  sociedade brasileira.

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Foto reproduzida do Pinterest

Já nasci com um tiro no peito.
Sangrando em lágrimas, dar a luz, dispara corações.
Veio tão certeira que desestabilizou minhas emoções.
Seria poético se não me deixasse paraplégico.

É desesperador. É minha dor.
Dor de viver em um mundo
onde não há paz, não há amor.

Há balas que se perdem e se acham em crianças que
não nascem.
Outras que até nasceram, mas chegaram ao mundo
aos prantos com gritos de desespero.
Ao sentir que uma vida cruel as esperam.
A angústia de um pai, o sofrer de uma mãe.
Ao saber que livrar seu filho não puderam.

Nascimento, compaixão, vida.
Oh aflição – minha, dos avós, dos pais, dos irmãos.
Sair e nunca saber se vai conseguir voltar.
Preciso crescer, me libertar.
Encontrar dentro de mim a saída.
Não quero ser mais uma vida impedida.
Nem encontrar outra bala perdida.

Olhei no espelho e nos jornais. E vi que eu não nasci.
Atiraram em sonhos. A bolsa estourou.
Abismo!
Não havia chão e nem teto – a terra desabou.
Sobrou entulhos, ficou no ar. Sem forma e vazia.
Havia trevas.

Eu era um feto – que mundo mais sem afeto.
Morri e pelas preces de mães revivi.

Poema de Alessandra Martins

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