Terra Negra

Oi, gente!

Hoje falaremos de literatura brasileira. E o livro escolhido é o Terra Negra– livro este que adquiri na Flip- Paraty desse ano.

Bem, sempre que vou em algum evento literário, tento conhecer autores contemporâneos que nunca li, e principalmente buscar uma literatura com a temática negra.

Mas por que, Alessandra? Porque busco representatividade. 😊

Infelizmente, durante séculos, escritores negros não tiveram tanta visibilidade na literatura brasileira,  principalmente, tratando- se de escritoras negras, que ficavam sempre as margens da literatura.

Sendo assim, consequentemente, a história do negro foi contada pelo olhar do homem branco, apresentando sempre personagens negros estigmatizados e estereotipados na literatura nacional.

Agora, busco como uma maneira de apoiar e fomentar a literatura negra e indígena – adquiro sempre que posso escritores contemporâneos negros.

“O racismo não tem paz. Não foi ele que inventou o jazz. Nem o soul. O racismo não é ninguém, mas eu sou.”

Terra Negra é um livro de poesia, da poeta Cristiane Sobral, lançado pela editora Malê, em 2017, na Flip- Paraty.

Quem é Cristiane Sobral?

Cristiane Sobral é uma carioca que é escritora, poeta, atriz, diretora e professora de teatro. Mora em Brasília desde a década de noventa. Ganhou o Prêmio FAC de Culturas afro-brasileiras-DF em 2017. Imortal cadeira 34 (Academia de Letras do Brasil). É Mestre em Artes pela UnB, com pesquisa sobre as estéticas nos teatros negros brasileiros. Especialista em Docência Superior, Licenciada em Artes Cênicas. Bacharel em Interpretação Teatral. É Coordenadora Intermediária do Ensino Médio na Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante-DF. Tem alguns outros livros lançados, sendo Terra Negra seu sétimo lançamento.

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A poesia em Terra Negra mostra de maneira sutil, a força não só do corpo, mas também da alma da mulher negra.

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Terra Negra é um grito de empoderamento e representatividade negra, pois, apresenta a forte conexão de ancestralidade do povo negro e indígena.

Ademais Cristiane Sobral apresenta em seus versos uma posição de liberdade feminina ao abordar o amor negro, o sexo e a beleza que vai além da estética. Conseguindo romper barreiras que impendiam e ainda impedem o negro de alcançar uma verdadeira democracia racial.

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Muitos dos seus versos ainda denunciam o genocídio do povo negro que persistente em nos atormentar.
No Brasil, durante muito tempo, a literatura brasileira invisibilizou a existência e resistência da mulher negra na literatura.
Hoje, graças as lutas por igualdade racial e de gênero, a mulher negra está podendo compartilhar de maneira encantadora, uma das mais belas demonstrações artísticas, a poesia.

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Sinopse:

É uma poesia cheia de personalidade, cores, aromas e doces enredos. Escreve como tribo. Conhecedora. Caminha sem solidão porque traz as hordas dos povos em diáspora inebriados e entrelaçados em sua narrativa ética, estética e caudalosa. Curiosa sua arte, lindo o seu tear.
A voz de uma mulher negra é a voz que se nega ao silenciamento, a voz que se impõe à porta da Casa Grande e entra. Arrebenta a tranca e ainda tem que provar, a cada balcão, o que é, quem é, e porque o é. Cansa até. Com a poesia é feita do impacto entre a poeta ou o poeta e sua experiência se viver, está presente todo o tempo, nas escuridões de Terra Negra, a luta existencial de todas nós. – Elisa Lucinda

Miradouros
Se você puder me ver
Além da cor
Além do sexo
Verás
Tudo o que tenho
Tudo o que trago
Na alma

Terás que mirar
Além do que sou
Além do que tenho
Mas só se puder perceber com calma

Pigmentando a sua retina
Eis que me dispo
Em pele, alma
E essência.

Um dos poemas que mais mexeu comigo no livro foi o 350 metros – poema que me arrepiou quando li. É um poema triste, porém, necessário.

350 metros
Eu fui ao inferno
Lacar o corpo de minha filha
O abismo é branco meus senhores
Minha filha foi jogada lá
350 metros
350 metros
Eu fui pedir ao bispo do palácio dos martírios
Ele que desse outra chance à minha filha
Queria colocar Cláudia de novo em meu útero
Ela merecia outra chance de nascer

Como eu sofri no meio daquela branquitude
Eu gritei em vão por Cláudia
Filha, filha!
A Cláudia saiu das minhas entranhas, das minhas entranhas pretas!
Minha menina foi arrastada e morta
350 metros
350 metros meus senhores!
Eu vi!
Toda aquela brancura
Misturada aos pedaços do corpo de minha
Filha
Eu vi!
Eu vi
Vi
Toda aquela brancura
Misturada com o sangue de minha filha
Sem a menor culpa.

 

E aí, gente…

O que acharam do livro Terra Negra? Você já leu este livro ou algum outro da autora? Tem algum livro de poesia nessa pegada para indicar? Comente aí.

Um beijo e até a próxima!🤗⚘

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