You- Você

– E o feminicídio

Oi, queridos caviares e ovos fritos! Como vocês estão?

Bem, como vocês já sabem pelo título da postagem, vamos falar de You – Você em português, mas não é sobre você propriamente dito, mas sim a série da Netflix que iniciou em dezembro de 2018.

You é uma série de televisão de suspense psicológico americano desenvolvida por Greg Berlanti e Sera Gamble. Produzida pela Warner Horizon Television, em parceria com a Alloy Entertainment e A&E Studios, a primeira temporada é baseada no romance de 2014 de Caroline Kepnes e segue Joe Goldberg, gerente de uma livraria de Nova York e serial killer que se apaixona por um cliente chamado Guinevere Beck e rapidamente desenvolve uma obsessão extrema, tóxica e ilusória. A primeira temporada, lançada em 2018, é estrelada por Penn Badgley, Elizabeth Lail, Luca Padovan, Zach Cherry e Shay Mitchell.

A primeira temporada de You foi lançada em 2018, tendo a sequência com a segunda em 2019.

Eu consegui terminar a primeira temporada semana passada e iniciei a segunda no mesmo dia, li que a terceira temporada irá estrear somente em 2021.

A série é baseada no livro homônimo, já a segunda temporada é baseada no livro “ Body Hidden” (Corpos escondidos), ambos de Caroline Kepnes.

A primeira temporada de You prendeu bastante minha atenção, pois me vi dentro de cada episódio.

Primeiro, o fato de atriz coadjuvante, Elizabeth Lail, interpretando a personagem Beck, ser uma escritora e poeta.

Segundo, ela ser uma mulher independente e mente aberta.

Terceiro, o fato de ela morar em Nova York.

E quarto e último, ela tem um psicopata a perseguindo praticamente que 24horas por dia.

Me identifiquei muito com a narrativa, pois me encontro quase que na mesma situação de Beck. Aspirante a escritora, portanto, poeta.

Mulher independente e moderna, moro atualmente em Nova York e já tive algumas experiências não muito agradáveis com relacionamentos abusivos, incluindo stalkers.

Tenho uma postagem no blog, onde falo sobre a psicopatia. Pessoas que entram na nossa vida vida, com flores, sorrisos e beijos, mas que na verdade, a intenção é nos destruir.

Se mostram como pessoas boas, amorosas, mas que na verdade são frias e calculistas. Nunca sentem remorso ou arrependimento. Está sempre vendo os outros como menos ou pouco inteligentes, pelo fato de essas pessoas serem enganadas por esses indivíduos doentios.

Esse tipo de pessoa sempre encontra uma razão para justificar suas maldosas ações. São doentes, são psicopatas, são as mentes perigosas.

A doutora brasileira, Ana Beatriz Barbosa, explica tudo em seu livro. Grifei acima. Se você ainda não leu, leia, pois é de suma importância ter uma noção dos perigos que nos cercam.

E na série You identificamos claramente esse tipo de indivíduo, o personagem Joe, interpretado pelo ator Penn Badgley.

Ele que nos faz lembrar a todo momento que precisamos estar alerta ao lobo mau, que aparece vestido de príncipe encantado.

É necessário sempre lembrar que o tipo de comportamento apresentado por Joe não deve ser considerado aceitável.

Não é normal invadir o direito de escolha de outrem, somente para satisfazer a vontade de possuir. Não devemos romantizar o controle, o ciúme excessivo, a invasão de privacidade, a agressão, pois tudo isso é relacionamento abusivo.

Essa série é ainda mais interessante, pois nos traz temas recorrentes na sociedade, problemas globais, como é o caso de crimes cibernéticos, exibição exacerbada na internet e o mais grave de todos, que é o caso do Feminicídio .

Mais de 1600 mulheres no Estados Unidos foram assassinadas em 2015, por homens, com quem tiveram algum tipo de relação. E a maioria por arma de fogo, de acordo com um relatório do Violence Policy Center (VPC, na sigla em inglês).

O relatório mostra mostra a violência de gênero anualmente, que é publicado desde 1996, este centro revela que, de acordo com dados em nível nacional em 2015, o ano mais recente para o qual há números completos disponíveis, 93% das mulheres assassinadas conheciam seu agressor e mantiveram com ele um relacionamento conjugal, de concubinato, namoro ou era seu ex-parceiro.

Na América Latina esses dados chegam ser mais alarmantes, pois segundo um relatório publicado em 2016 pelo Small Arms Survey, “entre os 25 países com as maiores taxas de feminicídio do mundo, 14 são da América Latina e do Caribe”.

Em todo o mundo, como na América Latina, a taxa de feminicídio é assustadoramente alta. As mortes por dote são responsáveis pelo assassinato de milhares de mulheres todos os anos, especialmente no sul da Ásia. Entre 2012 e 2015, houve uma estimativa de 24.771 mortes de dotes na Índia. Na Jordânia, há 15 a 20 mortes por “honra” relatadas todos os anos. No México, 2.318 mulheres foram assassinadas por nove anos, segundo o grupo de vigilância National Citizen Femicide Observatory (OCNF).

O banco de dados Global Burden of Armed Violence 2014 mostra que entre 2007 e 2012, em média, 60.000 mulheres foram mortas violentamente em todo o mundo. Globalmente, El Salvador e Honduras se destacam com taxas de mais de 10 homicídios femininos por 100.000 mulheres. O nível de violência que afeta as mulheres em El Salvador e Honduras excede a taxa combinada de homicídios de homens e mulheres em alguns dos 40 países com as maiores taxas de homicídios do mundo, como Equador, Nicarágua e Tanzânia.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em média 12 mulheres são assassinadas por dia em toda a região. No entanto, devido às limitações de dados, os números da CEPAL não incluem o Brasil, um país com um dos piores registros de violência de gênero.

Em 2014, a ONU Mulheres e o Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos lançaram o Protocolo Modelo Latino-Americano para a investigação de assassinatos de mulheres por gênero. O objetivo da ONU Mulheres era apoiar os países que adotaram o protocolo para desenvolver legislação especializada sobre feminicídio – especificamente para investigar e punir adequadamente todas as formas de violência contra as mulheres.

Em 2008, nove países da América Latina possuíam legislação especial sobre feminicídio. Até 2015, 16 países da América Latina haviam modificado suas leis para incluir um tipo específico de crime referente ao assassinato de mulheres. No Chile, Equador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México e Peru, o feminicídio é codificado como crime, levando consigo várias sentenças de prisão; na Argentina e na Venezuela, o crime é considerado homicídio agravado e o republicano dominicano ainda não possui uma categoria criminal específica para a violência de gênero.

Aqui no blog postei há um tempo, as taxas de feminicídio no Brasil, que infelizmente, é uma das maiores de todo o mundo. O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Se você ainda não leu, confira aqui.👆🏾

A trama traz o passo a passo do que pode levar à morte de uma mulher em um relacionamento, primeiro o agressor chega como o homem perfeito, aquele que está fazendo algo porque ama. O que o leva a monitorar, controlar, privar e matar sua vítima, que é uma mulher.

Agora me diz, você já assistiu You? Está assistindo? O que achou? O que não podemos fazer é romantizar atitudes psicopatas, confundi-o-as com amor. Porque no mundo inteiro diversas mulheres morrem todos os dias, por causa de homens como Joe, que acham que podem controlar suas parceiras. No final, chamam suas atitudes de amor.

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